Leia nossas reflexões sobre o conto “O afogado mais bonito do mundo”, de Monika Feith.

“Reflexões Sobre o Conto “O Pintor, a Cidade e o Mar”.

 

O conto narra a historia de uma existência simples, vivida em sua plenitude por um homem, que se deixou guiar pelo coração e pelo que sentia ser importante em cada momento de sua vida.

O Pintor nos é apresentado como alguém que viveu integrado ao seu mundo, dedicando-se a retratar tudo que havia à sua volta.

Após ter vivido muitos anos ocupado no trabalho de pintar tudo que via na cidade, chega a um momento de perplexidade, impelido em seu íntimo a viver algo novo, que não sabia ao certo o que seria. Em meio a essa inquietação, veio-lhe a lembrança de ter ouvido falar do mar, e começou a pensar como poderia viajar para ver se o mar era realmente tão imenso e belo como diziam.

Como estivera muito ocupado em pintar tudo à sua volta, se dá conta, naquele momento, de que não possuía recursos materiais. E então aquele desejo transforma-se em um sonho que passa a acalentar em seu íntimo.

Viajou primeiro na imaginação, aproximando-se e conhecendo o mar antes mesmo de chegar até ele.

Um dia, o mesmo desejo intenso que o fazia arder de febre, lhe trouxe a solução, fez então economias e vendeu tudo que possuía para conseguir os recursos necessários.

Realizou seu sonho, viu o mar e esteve por longo tempo perto dele.

Mas chega o dia em que O Pintor tem que retornar à cidade. E movido pela saudade, pinta “aquele que considerava o melhor quadro de todos os que já havia pintado”, colocando naquela obra as lembranças daqueles dias em que estivera próximo ao mar: as ondas, o céu, o vento.

Um belo dia, o mar que ele tanto amou, acabou sendo a sua morada, naquele homem arte e vida estavam intimamente interligadas.

Esse quadro, o Pintor não quis vender a ninguém, está agora no museu da cidade para que todos possam contemplá-lo.

O conto inicia-se com três elementos: O Pintor, alguém que se realiza no seu fazer; a cidade, onde esse homem vive integrado a seu mundo; e o mar, inspiração para a sua grande criação artística. Ao longo da história acompanhamos o surgimento de um quarto elemento: o museu, símbolo da permanência do trabalho de tantos homens que nos deixaram através de suas obras um legado.

Conhecendo a história do Pintor refletimos sobre o quão maravilhoso é podermos visitar um museu e vivenciar momentos de intensa emoção. Para isso acontecer, as obras de arte pedem apenas “aquela qualidade de atenção”, em que esquecemos nosso eu individual, para sermos UM com o outro – acessando aquele instante de graça em que o artista fez a conexão que possibilitou a criação de sua obra.

Apresentamos as ideias de Willian Anderson sobre a fruição da obra de arte que dialogam com a experiência relatada no conto.

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