Leia nossas reflexões sobre o conto “O Túnel”, de Máximo Gorki.

O Túnel

Reflexões

 

“O Túnel”, de Máximo Gorki conta a história de um homem que está orgulhoso da medalha que traz no peito, desejando compartilhar o que viveu ao lado de seu pai e dos outros trabalhadores, ao construir um túnel. O operário, “tostado de sol e lustroso como um besouro”, seu rosto “sério, terno e audaz” e suas “mãos bronzeadas repousando nos joelhos”, está à espera de um interlocutor.

A comunicação através da contação de histórias revela o sentido da experiência, sem definí-la, constituindo-se uma forma de trazer para o tempo presente algo vivido no passado. Ao contar o que foi vivido, a lembrança ganha intensidade e o que seria apenas uma sequência de acontecimentos, ao ser compartilhado, torna-se história.

Na história contada, o trabalho humano transformou a natureza. A grandiosidade dessa intervenção é descrita como um confronto: de um lado os homens “tão pequeninos”, e do outro, a natureza, a montanha, uma massa quase intransponível que resiste à transformação. Se sozinhos, os homens eram “pequeninos”, com o trabalho em conjunto, fortaleceram-se, e conseguiram realizar uma grande obra – um túnel que deixaram como herança.

No começo, o pai opõe-se à escavação do túnel por temer a realização de uma obra que fosse contrária às leis da natureza e à vontade de Deus. Diferente do pai, Paolo não tem medo, confia na força do trabalho e naquilo que faz, acredita ser uma necessidade dos homens criar meios para se aproximarem uns dos outros.

Após certo tempo, o pai finalmente passa a ver a construção do túnel como algo que facilitaria a comunicação, pedindo para ser informado quando fosse concluído. Suas palavras ao filho soam como uma benção: “tudo deve ser feito com fé no resultado positivo”.

Paolo conta ao transeunte sobre as dificuldades de escavação do túnel e que alguns, inclusive seu pai, não conseguiram ver a obra concluída. Como ele havia conseguido, pôde contar ao pai, visitando seu túmulo, e a todos que estivessem dispostos a ouvir.

Ao contar sua história ao transeunte, o operário recorda: “eu sinto que não vivi em vão. Houve o trabalho, o meu trabalho, um santo trabalho, senhor, eu lhe digo, sim”. Sentia-se orgulhoso de ter feito parte de um grupo que realizara um trabalho grandioso, um túnel que transformou em realidade o desejo do encontro humano. Era um momento de rara beleza e alegria profunda: “Ah, se o senhor soubesse como é forte, como é insuportavelmente apaixonado o anseio de encontrar um ser humano nas trevas, debaixo da terra, no interior da qual a gente penetrou à força”.

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