Desde 2000, o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial realiza encontros com grupos de até quinze alunos de escolas da rede pública para ler, discutir e produzir textos a partir de obras clássicas da literatura brasileira e universal.

Através da leitura e da troca de ideias sobre os dramas, descobertas e perdas dos personagens de obras como a “Odisseia,” de Homero, “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, os jovens dos Círculos se beneficiam em dois campos importantes.

O primeiro é o campo cognitivo, com o desenvolvimento expressivo das habilidades ligadas à leitura. A capacidade de ler, interpretar, debater e escrever, permite que os alunos adquiram um grau maior de comprometimento com os estudos, com impacto positivo no rendimento escolar. A propósito, acreditamos que o compartilhamento do saber é um dos pilares da civilização.

Já o segundo campo é de ordem existencial: ao se aproximar das vidas dos personagens, os jovens aprendem a se (re)conhecer, a refletir sobre suas condições de vida presente e a desenvolver projetos futuros, desenvolvendo habilidades como a liderança e a capacidade de resolver conflitos nas comunidades carentes onde vivem. A leitura também proporciona a ampliação efetiva do universo cultural e social do adolescente, contribuindo para a autoconfiança, respeito pelas instituições e inclusão social.

Durante a prática dos Círculos de Leitura, emergem os “multiplicadores” – jovens que se destacam pelo talento, dedicação, ambição e potencial de liderança.

No método desenvolvido por nossa Coordenadora, a psicanalista Catalina Pagés, cabe ao multiplicador conduzir as práticas de leitura em que os estudantes sentam-se em pequenas rodas e leem em voz alta, com pausas para reflexões em grupo.

A origem dos Círculos de Leitura remonta a uma pesquisa de campo realizada pelo Instituto Braudel nas escolas públicas da periferia da Grande São Paulo na década de 1990. Além de detectar a ausência da prática da leitura, debate e reflexão na sala de aula, a investigação constatou que, em grande medida, os altos níveis de violência estavam associados à falta de perspectiva dos jovens.

O primeiro grupo dos Círculos de Leitura aconteceu na Escola Municipal de Conforja, em Diadema, cidade que então apresentava os maiores índices de violência do estado de São Paulo. Em 2002, o projeto já havia beneficiado cerca de 400 alunos de escolas públicas de Diadema e do município vizinho de São Bernardo do Campo. Em 2003, através de uma parceria com a Diretoria Regional de Ensino de São Bernardo, os Círculos de Leitura atuaram junto a seis escolas estaduais, localizadas em áreas de periferia com índices mais altos de violência.

Desde então, o projeto vem ampliando sua parceria com mais escolas da rede pública dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais, tendo beneficiando cerca de 28 mil alunos.